terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sporting o Clube do Regime e Ditadura de Salazar

  • António de Oliveira Salazar, governou Portugal de 1933 a 1968 (35 anos).
  • Até 1974 quando a Revolução dos Cravos pôs fim ao Estado Novo, regime político autoritário implantado por Salazar com a Constituição de 1933, foram disputados 40 títulos do Campeonato Português. O Benfica venceu 20 deles (50% do total), contra 14 do Sporting (35%), 5 do Porto (12,5%) e 1 do Belenenses (2,5%). No entanto, nos primeiros 20 anos após a Revolução dos Cravos, período que antecede o predomínio absoluto dos Dragões (Pinto da Costa), o Benfica ganhou 10 títulos (mais uma vez, 50% do total). O Porto venceu 8 títulos (40%), enquanto que o Sporting, apenas 2 (meros 10%).
  • O Benfica sempre foi olhado com suspeita pelo "regime", pois era o clube da ralé, como eles diziam , e pior ainda, tinha uma bandeira de cor vermelha, a cor associada a todos os que lutavam contra o governo fascista de António de Oliveira Salazar.
  • O Benfica foi o primeiro clube a ter eleições democráticas. Já tinha eleições democráticas muito antes do fim do estado novo.
  • As ligações do FC Porto ao poder permitiram-lhe nas épocas de 1939/40 e 1941/42 o alargamento dos nacionais para evitar descer à 2º divisão.
  • A ditadura ajudou o FC Porto a construir o já desaparecido Estádio das Antas, simbolicamente inaugurado a 28 de Maio de 1952 pelo General Craveiro Lopes (dia comemorativo da revolução que deu origem ao estado novo).
  • O antigo Estádio da Luz foi inaugurado no dia 1 de Dezembro (data da Restauração da Independência) e a 5 de Outubro (Implantação da República) foi inaugurado o 3º anel.
  • Em 1954/55 O Benfica apesar de campeão não foi indicado para a Taça dos Campeões Europeus porque naquela altura os clubes eram sugeridos pelas entidades nacionais responsáveis e o Benfica, mesmo sendo campeão, foi preterido em favor do Sporting. As "más-línguas" garantem que houve uma "mãozinha" de Salazar neste processo, pois as excelentes relações existentes entre ele próprio a alguns dos dirigentes sportinguistas, não deixavam antever outro cenário, visto que é do conhecimento geral que nas décadas de 40 e 50, e no início de 60, as direcções sportinguistas eram constituídas por gente da Legião Nacional e da UN - Góis Mota, Maia Loureiro entre outros.
  • Na década de 1960, o Benfica disputou cinco finais da Liga dos Campeões e venceu duas. É improvável imaginar que isso também tenha sido obra do Salazarismo.
  • O Benfica foi obrigado a jogar a final da Taça de Portugal em 1961/62 em casa do adversário (Vitória de Setúbal) um dia depois de o Benfica ter vencido o Barcelona na final da Taça dos Campeões Europeus. Os 15 jogadores que estiveram nesse jogo estavam em viagem no dia do jogo em Setúbal, no qual o Benfica perdeu 1-0.
  • Na década de 70 - O Benfica foi campeão por 6 vezes e conseguiu fazer dois campeonatos sem perder um único jogo.

  • O clube mais próximo da ditadura sempre foi o Sporting, pois era o clube que tinha simpatizantes com maior peso na sociedade da altura, e mais tarde (na época do Almirante Américo Tomás) também o Belenenses. O Sporting era o clube do regime. Contudo, Salazar aproveitou-se das vitórias do Benfica para se promover e credibilizar como faria qualquer ditador.
  • Aquando da revolução de 25 de Abril, o presidente do Benfica era Borges Coutinho.
  • Nos 20 anos seguintes à revolução de Abril - o Benfica venceu 10 campeonatos e 7 Taças de Portugal, contra 8 campeonatos e 5 taças ganhas pelo Porto e 2 campeonatos e 2 taças conquistadas pelo Sporting.
  • Também nas 84 edições da Taça de Portugal o Benfica venceu 27, 14 sem Salazar e 13 com Salazar. Mais uma vez, com ou sem Salazar, o Benfica mantém a senda vitoriosa.
  • Em termos Europeus, o Benfica conta com 8 finais europeias (7 na Taça dos Campeões Europeus e uma na Taça Uefa) e duas meias-finais (Taça das Taças). Venceu ainda a Taça Latina e uma edição da Taça Ibérica (em 83/84). Estes dados mostram o poderio do Benfica quer em Portugal, quer na Europa, na era Salazar e no pós-Salazar.
  • O hino oficial do Benfica não era a música de Luís Piçarra. O hino oficial do Benfica, composto por Bermudes, chamava-se “Avante Benfica” e foi censurado por Salazar por ser entendido como uma afronta ao seu poder.
  • Na história do Benfica contam-se imensos dirigentes que lutaram contra o fascismo de Salazar. Manuel Conceição Afonso, Félix Bermudes (o autor do hino censurado), Tamagnini Barbosa e Júlio Ribeiro são alguns desses exemplos. José Magalhães Godinho, conhecido opositor do regime, foi o primeiro director do jornal do Benfica.
  • Quando o Benfica foi ocupar o campo 28 de Maio (onde jogava o Sporting) muda o seu nome para estádio do Campo Grande.

2 comentários:

max disse...

Muito bom este artigo, cheio de objectividade e com factos reais. Esta análise histórica que fez é a prova que o Benfica nunca foi um clube do regime.

Era e será um Clube democrático:
Do Povo
Pelo Povo
Para o Povo


(só tenho 30 anos, mas a história do nosso clube é um orgulho)

max disse...

Só me faltou um comentário...


Parabéns pelo artigo, digno de ser plagiado (no bom sentido) pela blogosfera benfiquista!


Cumps