sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo a todos

Vivemos os últimos dias de 2010, 2011 está ai à porta... Vivemos um anos de 2010 cheio de conquistas mas as velhas guerras estao de volta, o sistema no seu explendor e os avensados.

O desejos deste blog sao de que as conquistas e glorias voltem, de que todos os adeptos do Benfica se unam em torno de um só ideial de um só Amor o Amor pelo Sport Lisboa e Benfica.
Que este ano que chega, seja recheado de glórias pessoais, cheio de vitórias e de muita felicidade para todos os que nos visitam.

Deixo-vos com a foto da paixao da minha vida a eterna e Maravilhos Cidade do Rio de Janeiro,  numa noite de boas vindas ao Ano novo que chega.
Um Enorme abraço de Feliz Ano Novo a todos.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Corrupção na Liga, Inscrição irregular de Jogadores do FCP

FCPORTO MAIS UMA VEZ BENEFICIADO...

"Luis Fabiano. Na data em que o FC Porto e União de Leiria deveriam ter jogado, na primeira jornada do campeonato, Luís Fabiano ainda não estava inscrito pelos azuis e brancos. Logo, em princípio, seria aplicável a alínea 6 do Artigo 36º do Regulamento de Competições, que impediria o atleta de actuar em função deste articulado:

Artigo 36º
(...)
6. Nos casos de alteração do calendário de jogos, apenas poderão ser incluídos na ficha técnica dos jogos adiados os jogadores que se encontravam em condições regulamentares na data inicialmente fixada.

Isto tudo tal e qual como aconteceu com Leonardo, jogador do Belenenses, na época 2003/2004, quando o encontro dos azuis com o Estrela da Amadora foi adiado. No entanto, a meio do mês, a Liga emitiu uma circular na qual, sem citar o nome do brasileiro do FC Porto, invocava o interesse nacional da Supertaça Europeia, que motivou o adiamento do jogo com a União de Leiria, como justificação para uma postura condescendente. Como os portistas não facilitam nestas coisas, se convocaram o atleta é porque estavam bem calçados."

Nota: A Liga veio dizer que o jogo não foi adiado, mas sim "deslocado no tempo", não se aplicando assim o artigo 36º...sem palavras.

Rui Moreira Candidato à Câmara do Porto?

A Câmara do Porto propôs o nome do presidente da Associação Comercial do Porto, Rui Moreira, para substituir Arlindo Cunha à frente da Porto Vivo, Sociedade Reabilitação Urbana, segundo fonte daquela SRU.

Esta proposta para a Porto Vivo é vista pela esfera política e Nacional como uma rampa de lançamento para uma futura candidatura à Camâra Municipal do Porto. Muito embora não lhe sejam conhecidas filiações, embora, a proposta para Presidir à Porto Vivo tenha partido da CMP, cujo presidente é Rui Rio eleito pelo PSD, a proposta partiu dos vários vereadores da CMP membros do PS, aliás em 2005 Rui Moreira foi um dos Foi membros da Comissão de Honra da candidatura de Mário Soares à Presidência da República, que foi à data o candidato do PS e um dos fundadores do Partido.

Esta não é a primeira vez que Rui Moreira é associado a uma futura candidatura à Presidência da CMP, pois o próprio Rui Moreira já admitiu uma vez o possível desafio de se candidatar à CMP em entrevista ao Jornal "Sol"

Em Agosto Passado Pinto da Costa Presidente do FCP em entrevista ao jornal "Expresso" disse o seguinte:
"Pinto da Costa, em entrevista ao Expresso, não tem dúvidas de que Rui Moreira seria o melhor presidente que a Câmara do Porto poderia ter."

Faltando apenas 2 anos para novas eleições para a Câmara do Porto é possível pensar que desta forma a teia está montada e o assalto ao poder pela Câmara Municipal do Porto está perto de se concretizar, e nada melhor do que um cavalo de Tróia dentro da própria edilidade Portuense, e desta forma Pinto da Costa e o FCP poderiam volta a dominar a edilidade Portuense, domínio esse que perderam em 2001 quando Rui Rio Venceu literalmente Nuno Cardoso o então candidato do PS e o favorito de Pinto da Costa.

Os benefícios que o FCP obtém da CMP quando consegue colocar na edilidade o seu presidente favorito são mais que muitos e exemplos não faltam, desde a venda dos terrenos das Antas à CMP com um prejuízo enorme para a edilidade Portuense, passando pelo plano pormenor das Antas que foi contra todos os princípios básicos da modernização da malha urbana entre outros.

A Máfia do futebol não dorme nem descansa e o próximo passo está a ser dado de forma a que os seus interesses no poder instalado à base de corrupção máfia e tráfico de influências não sejam beliscados.

Recorde-se que a sociedade de reabilitação urbana "Porto Vivo" foi criada, há seis anos, com o objectivo de "elaborar a estratégia de intervenção, actuar como mediador entre proprietários e investidores e, em caso de necessidade, tomar a seu cargo a operação de reabilitação". Actualmente a "Porto Vivo" detém mil hectares (equivalente a um quarto do concelho do Porto)e tem nas suas mãos a reabilitação de 32 quarteirões da baixa do Porto, a maior parte dos quais situados na zona histórica.

Fontes:
"Expresso", "Lusa", "JN", "Sociedade Comercial do Porto", "Camâra Municipal do Porto" "Ministério do Ambiente"

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Corrupçao na Justiça "Juízes e Policia pediam favores ao FCP"

Valentim Loureiro e Pinto da Costa faziam questão de manter uma boa relação com magistrados e polícias que mais tarde poderiam ser “úteis” noutro tipo de circunstâncias.


A maioria das situações detectadas nas escutas telefónicas no âmbito do processo Apito Dourado passam mesmo pela oferta de bilhetes para jogos internacionais, que o magistrado Carlos Teixeira considerou configurarem o crime de corrupção e serem passíveis de infracção disciplinar no caso dos magistrados que solicitaram as ofertas.

Outras há que não deram origem a qualquer extracção de certidão criminal, por nem sequer se ter determinado quem eram os envolvidos. No entanto, fica claro como se processava algumas teias de favores. Exemplo disso é uma conversa entre Pinto da Costa e o empresário Jorge Mendes, onde o dirigente portista pede ao segundo para arranjar um clube da 2.ª divisão para um guarda-redes que eles próprios consideram não ser especialmente dotado.

O motivo, no entanto, é claro: Pinto da Costa quer que o empresário faça o favor ao irmão do jogador, comissário da PSP de Gaia, cujo cargo, segundo Pinto da Costa, “tem sempre interesse”.

Dois dos magistrados envolvidos nesta situação (pedido de bilhetes) são Antero Luís, na altura juiz de 1.ª instância, actualmente director do SIS, e Madeira Pinto, juiz desembargador da Relação do Porto e à data magistrado do Tribunal de Menores.

Segundo as escutas, que deram origem a uma das certidões, Antero Luís pretenderia bilhetes para a inauguração do Estádio da Luz, enquanto Madeira Pinto queria assistir ao encontro Porto-Manchester. Os pedidos foram feitos através do advogado Lourenço Pinto e tiveram como interlocutores Valentim Loureiro e Pinto da Costa. Lourenço Pinto garantiu que os bilhetes foram pagos.

Houve também um caso investigado pelas autoridades que dizia respeito a um contrato de trabalho do filho do juiz Costa Mortágua, celebrado com a Câmara de Gondomar. O contrato chegou a ser apreendido durante uma busca à autarquia, mas as autoridades não conseguiram demonstrar que tinha havido tráfico de influências.

JUIZ COSTA MORTÁGUA

"ESSE NÃO PODE SER, QUE ESSE É SPORTINGUISTA"

Valentim Loureiro liga ao presidente do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol, o juiz Costa Mortágua, a propósito de declarações prestadas por Dias da Cunha. O magistrado dá-lhe conta de que as afirmações de Saldanha Sanches que também merecem participação e acaba a prometer abrir um inquérito ao dirigente do Sporting e arranjar um colega que não seja sportinguista.

Costa Mortágua (CM) - ...em directo...que...os grandes clubes..ele disse, à cabeça, que os grandes responsáveis pela corrupção, pelo que está mal no futebol, - aquelas merdas todas, aqueles chavões! - que eram os dois nomes: Gilberto Madaíl e Valentim Loureiro! Exactamente assim, pá!!

Valentim Loureiro (VL) - Não me diga que isso, também tem que se fazer uma participação para a...criminal, ou não?!

CM: – Essa... essa... essa é que sim. Essa, eu chamei a atenção disso ao Madaíl.

VL: O senhor é da área, porra! O que é que lhe parece? Hã?

CM - Eu chamei a atenção ao Madaíl, que me disse...que ia..tentar obter a cassete. Eu ontem falei com ele...falei com ele...ele vai hoje à Suíça, mas segunda-feira vamos aí faze...vou tentar, pá!... não deixar esfriar isto...

VL - Para ele coisa, e... e transcreve-a?...Para ele

CM - E porque...essa é que fala mesmo com os...vem com os nomes à cabeça! Está a ver... o Saldanha Sanches é um fiscalista, não percebe nada de futebol, pá...e, chega ali, debita um ódio terrível em cinco minutos, pá...

VL - Quê? Os responsáveis são A e B! Prontos! Come também.

CM - A e B! À cabeça! Nomes e tudo!


VL - Come também!


CM - É que não é o Presid... é: Gilberto Madaíl e Valentim Loureiro. Quer dizer... cidadãos...

VL -Nós é que somos os responsáveis?...

CM - Exactamente! Oh pá, não pode ser!


VL - Tem que dizer porquê!

CM - Pá! Evidente, pá! É evidente! (...) Eu disse ao Madaíl para arranjar a cassete da SIC, pá... porque essa é fundamental, está lá o nome... os dois nomes e... eh pá, eu fiquei... eu fiquei... achei aquilo horrível.

VL: - Está bem. OK. Mas, ouça: essa, se for, ´é... é... participação, nem é preciso falar... é pumba!

CM - Pumba! Essa é directa, pá!

VL - Percebe? Pumba! (risos)
CM - Essa é directo!
VL - O resto é conversa...
CM - Eh... qua... não diga nada que...
VL - Não, não, não!


CM - Diga... Não! Diga que... diga que vai mandar para o Conselho de Justiça, e tal, não faça considerações, porque eu, na próxima reunião...


VL - Sim...
CM - Vou... vou mandar... abrir um inquérito..
VL - É...
CM - ... e vou pôr um colega a ouvi-lo.
VL - Sim, sim! Eu tenho lá um gajo bom, pá! Aquele gajo que conseguiu engavetar o Pimenta!
CM - Sim. Mas esse não pode ser, que esse é sportinguista.
VL - Ai é?
CM - Pois. Porque eles também não têm tempo, e tal. Simplesmente, eu vou tentar pôr outro... outro gajo, sem ser ele...
VL - Sim... sim...
JORGE MENDES
"O GAJO É LÁ DA POLÍCIA, EM GAIA, TEM ALGUM INTERESSE"
Pinto da Costa pediu ao empresário para ‘observar’ um guarda-redes, que um comissário da Polícia de Gaia lhe pediu para contratar. O empresário diz que o jogador não é para o Porto, mas o dirigente insiste, e aproveita também para tentar saber se o polícia tem algum interesse.
Pinto da Costa (PC) - Olhe uma coisa... você conhece? ... aquele jogador, um gajo chamado Colaço, que é guarda-redes do Fão...? Sabe quem é?
Jorge Mendes (JM) - Ó pá, aquilo é da zona lá do Carlos... é da zona dele... é capaz... ele mora ali ao pé, como ele vê muito essa equipa... mas eu posso perguntar!
PC - Pergunte só...
JM- ... Não lhe vou dizer já!
PC-- É que veio aqui um... gajo, que é irmão dele...
JM- Ahhhhhh! Espere aí! Espere aí!
PC- Um gajo que é...
JM- Não é nada disso! Já sei o que é que você está a falar! Está a falar do comissário da Polícia!
PC-- Exacto!
JM- É pá, mas ouça lá! – Isto aqui estamos a falar os dois! – esqueça lá o guarda-redes, caralho!
PC-- Não vale nada?
JM- Ó pá, é normal... é normal... - a indicação que eu tenho, que nunca o vi, mas não é para o Porto nem pensar nisso! Nem coisa que se pareça!
PC-- Não, não!... mas ele também não era para o Porto! Ele, era “para ver se o puxava... se ajudava o rapaz, que ele era seu jogador, estava a jogar”...
JM- Ele disse-me, ontem... ele foi, ontem, lá ao meu escritório! Não me lar... está sempre... anda sempre atrás de mim, foi lá ontem, ao escritório o gajo!
PC - Um gajo magrinho, não é?
JM- Sim, magrinho... é comissário da Polícia!
PC - Exacto!
JM- Que é... que é... pronto! que está a jogar muito bem, não sei quê! Mas eu não sei o nível dele! Mas eu posso perguntar, depois digo-lhe!
PC-- Pergunte e ... e, depois, diga-me! É que o gajo é comissário lá da Polícia, em Gaia, tem sempre interesse!
JM- Está bem! Olhe uma coisa...
PC-- E veja lá se sabe como... se o polícia vale alguma coisa!
JM- Está! Eu digo-lhe alguma coisa!
PC-- OK! Está!
JM- Até já, até já!






LOURENÇO PINTO
" O LELLO DISSE-ME QUE ATÉ ME AGRADECIA MUITO"
Pinto da Costa e Lourenço Pinto decidem não apresentar queixa contra uma procuradora, que “tem muito peso”, mas avançam com uma contra a socialista Ana Gomes porque José Lello até agradecia.
LP ? Agora, a ... a Liga... o Major fodeu-me para aqui a cabeça... já tenho procuração da..da..da Federação e da Liga, para fazer o processo contra a Ana Gomes, não é?
PC? Sim
LP ? Isso vou fazer! Agora contra a procuradora... eu estou a ver se arranjo matéria, não é? Mas não sei se tenho matéria para... para...
PC? Não, e o Major disse-me que as declarações dela que não têm nada... o próprio Major me disse que até... Não, nem acho que se deva, agora, estar a... meter com a procuradora...
LP ? Nada, nada! Nem de perto nem de longe!
PC? Não porque aquilo também representa um grupo que tem... ela não é sozinha...
LP? É e tem peso, a gaja tem peso!
PC? Acho que nem o Major - e o meu amigo muito menos - está para meter-se nisso!
LP ? Não, não eu não me meto nada nisso! Agora, contra a Ana Gomes... contra a Ana Gomes... vou-lhe chegar!
PC? Ah, isso é diferente! Claro!
LP ? Ela chamou-nos ‘gabirus’, não é?
PC? ‘Gabirus’ que não pagam impostos!
LP ? É! Essa vai comer, não é? Vai comer!
PC? É... ela vai para o Parlamento Europeu, que eles querem-se ver livres dela!
LP ? Pois mas... mas vêem-se livres dela mas mandam-na para um tacho bestial, não é?
PC? Pois é!
LP ? Mandam-na para um tacho bestial!! O Lello disse--me que... que... até me agradecia muito que fizéssemos a queixa porque queriam ver--se livres dela...
PC? Pois!
LP? ... e, portanto, a queixa dá mais... mais força para... para a gaja desandar, não é?

Fonte:
Tânia Laranjo/Octávio Lopes

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Justiça ignora Falsos Rendimentos dos Super Dragões

Fernando Madureira, líder da claque dos Super Dragões, declarou no início do ano de 2007 que tinha dois Porsches Boxster. O primeiro foi comprado em 2005 e o segundo em 2006. Um deles terá sido entretanto vendido, mantendo-se Madureira na posse de outro automóvel, um Renault Laguna, adquirido em 2003.

A posse destes luxuosos automóveis (o primeiro custa 80 mil euros, o segundo 65 mil, se forem ambos comprados novos) é incompatível com o rendimento que anualmente Fernando Madureira declara. O maior montante apresentado ao Fisco foi de 14 mil euros, o que mesmo assim representa três vezes mais do que declarava quando comprou o Renault Laguna (em 2003 a sua declaração de rendimento dá conta de que só ganhou cinco mil euros no ano).

Os documentos que o CM consultou dão conta de uma disparidade difícil de explicar. A última declaração de rendimentos informa que Fernando Madureira ganhou pouco mais de 16 mil euros num ano. A entidade patronal foi a Cozinha de Ouro – actividades hoteleiras, havendo ainda referência a outro montante de uma segunda entidade patronal – PauloGuedes e Fernando Lda, uma empresa com sede no Porto. No entanto, esta apenas pagou 2700 euros a Fernando Madureira pelos serviços prestados durante 12 meses.

Os registos de património do líder dos Super Dragões mostram também outras disparidades. Em 2003, quando declarava ganhar anualmente, montantes em bruto, apenas cinco mil euros (por mês recebeu cerca de 400 euros, quantia essa ainda sujeita a descontos), Madureira comprava a primeira casa.

Foi uma moradia em Mafamude, Vila Nova de Gaia, adquirida por apenas 101 mil euros. O imóvel foi avaliado, na declaração de Finanças, no início do ano passado, em 175 mil euros.

A casa foi entretanto vendida e Fernando Madureira mora agora noutra moradia, na rua de Salgueiros, em Canídelo, também em Vila Nova de Gaia, uma zona nobre da cidade. Não tem qualquer outro valor declarado em seu nome.

Fonte:
Jornal "Correio da Manhã"

Imprensa omite agressões a Jornalistas no Dragão

Os avensados comem e calam, e ainda branqueiam todo o tipo de situações que envolvem um bando de pessoas que não sabem viver em sociedade, mas entretanto e no meio de tudo isto o MP e os Tribunais pactuam com este estado de coisas...

Decorria a 2º Semana de Maio de 2008 e eis que...


OJornalista de Record destacado para cobrir a conferência de Pinto da Costa foi obrigado a deixar as imediações do Dragão pelos responsáveis portistas. Ao invés de conduzir os repórteres pelo interior do recinto, como é habitual, o FC Porto ordenou à comunicação social que aguardasse junto à porta 2, onde se concentraram dezenas de membros de uma claque legalizada (Super Dragões).

Entre empurrões e ameaças, o repórter de Record foi aconselhado a afastar-se. Menos sorte tiveram os companheiros da Antena 1 e “O Jogo”, agredidos cobardemente. O representante da SAD portista presente alegou que não podia assegurar a integridade física dos jornalistas mas não facilitou a sua entrada no recinto.

Fonte:
Revista "Sabado"

Desordem na F.P.F "O Caso Saltilho"

O Caso Satilho

O Caso Saltillo foi uma rebelião e greve dos jogadores da selecção nacional de futebol de Portugal, durante o Campeonato do Mundo de Futebol de 1986, que se realizou no México. O nome deriva da cidade mexicana de Saltillo, onde a equipa portuguesa estava alojada. Para muitos dos amantes do futebol em Portugal, Saltillo representa uma das páginas mais negras e vergonhosas do desporto português.

Antes do México

Portugal passou vinte anos sem participar nas fase finais dos Campeonatos do Mundo de Futebol. A sua primeira (e única) participação remontava à edição de 1966. Em 1984, Portugal chegou ao terceiro lugar do Campeonato Europeu de Futebol, e muitos comentadores esperavam que se viessem a reabrir as portas do grande futebol internacional a Portugal. As esperanças viriam a ser goradas.

Qualificação

Portugal qualificou-se para a fase final do Campeonato do Mundo com um segundo lugar no grupo de qualificação, um ponto só à frente do terceiro colocado (não apurado para a fase final), a Suécia, e após a Alemanha. A campanha de qualificação portuguesa foi deveras perturbada e muito irregular; a qualificação só foi assegurada no último jogo, com uma surpreendente vitória em Estugarda, frente à Alemanha por 1-0. Foi a primeira vez que a Alemanha perdeu um jogo de qualificação em casa desde 1945.


Sorteio

O sorteio para a fase final correu mal. Não tanto pelos adversários (Inglaterra, Polónia e Marrocos), mas pelo facto de dois dos jogos serem jogados a baixa altitude, em Monterrey e o terceiro em Guadalajara, a mais de 1.600 metros acima do nível do mar. Desta forma, a preparação para os possíveis jogos seguintes em altitude seria perturbada.

Selecção

Não foi fácil a vida de José Torres, para escolher os 22 jogadores que iriam ao México. Rui Jordão, um dos melhores marcadores de sempre, tinha tido uma época infeliz, perturbada por conflitos no seu clube, o Sporting. Manuel Fernandes, o melhor marcador da época, tinha decidido alguns anos antes não jogar mais pela selecção.

A seleção foi anunciada a 19 de abril de 1986:

Guarda-redes: Manuel Bento, Vítor Damas e Jorge Martins.
Defesas: João Pinto, António Morato, Pedro Venâncio, Augusto Inácio, António Veloso, José António, Frederico Rosa, Álvaro Magalhães e Luís Sobrinho.
Centro-campistas: Jaime Magalhães, Carlos Manuel, Jaime Pacheco, António André, António Sousa, Paulo Futre e José Ribeiro
Avançados: Diamantino Miranda, Rui Águas e Fernando Gomes.

Poucas horas da selecção partir para o México, anunciou-se que Veloso tinha tido um teste positivo por dopagem com Primobolan, um esteróide anabolizante. Ele foi substituído por Fernando Bandeirinha, que seria enviado directamente para o aeroporto após ser acordado de madrugada. O episódio criou bastante tensão entre os jogadores que acreditavam na inocência de Veloso, como mais tarde uma contra-análise viria a provar.
A selecção portuguesa tinha naquela altura o apelido "Os Infantes" por referência a um hino humorístico em sua honra, com letra de Carlos Paião, e cantado por Herman José.



No México

A própria viagem para o México foi fonte de dissensões. Em vez de irem directamente para o México, a Federação tinha escolhido voos com escala em Frankfurt, na Alemanha, e em Dallas, nos Estados Unidos. Nisto e noutros pormenores à chegada se verificava que a Federação Portuguesa de Futebol descuidava os aspectos logísticos e não se preocupava grandemente com a necessidade de repouso e de aclimatação à altitude. A selecção instalou-se em Saltillo, onde também estava a equipa inglesa.

O hotel em Saltillo não era adequado, por não permitir preservar os jogadores da curiosidade de jornalistas nacionais e estrangeiros. O campo de treinos estava numa encosta e, assim, Portugal treinava num relvado que subia na primeira parte e descia na segunda. Os jogos de preparação foram realizados com equipas amadoras locais. Mesmo esses jogos foram descuidados; num deles Diamantino deu mesmo um entrevista dentro do próprio campo de jogo, durante o jogo. Um jogo mais sério contra o Chile estava previsto, mas foi anulado pelo facto dos Chilenos reclamarem um prémio de jogo demasiado elevado. Além disso, havia rumores de actividades sexuais com prostitutas locais, o que terá criado animosidade telefónica com as famílias em Portugal. A autoridade do chefe da delegação portuguesa, Amândio de Carvalho, o vice-presidente federativo, era inexistente, e o presidente Silva Resende estava sempre ausente na cidade do México.

Explosão

A tensão foi progressivamente aumentando dentro da selecção. Os jogadores ameaçaram fazer greve se os seus prémios de jogo não fossem melhorados. Além disso, os jogadores queixavam-se de serem obrigados a fazer publicidade para empresas (designadamente a Adidas e a cerveja Cristal) que tinham contratos com a Federação) sem serem remunerados. A 25 de Maio, os jogadores recusaram treinar. Algumas reivindicações dos jogadores foram retiradas dado que não tinham apoio da opinião pública em Portugal. Mais tarde, certos jogadores treinaram com as camisolas pelo avesso, para evitar fazer publicidade rentável para a Federação.

Jogos

Surpreendendo a Inglaterra

O primeiro jogo foi contra a Inglaterra. O jogo tinha uma carga emocional profunda. Tinha sido também com a Inglaterra que, 20 anos antes, Portugal tinha perdido o acesso à final de 1966. Carlos Manuel, que havia marcado o golo decisivo contra a Alemanha, nas qualificações, voltou a marcar, e Portugal venceu por 1-0. O jogo aparentemente mais difícil tinha corrido bem.

: Bento; Álvaro, Frederico, Oliveira, Inácio; Diamantino (aos 83' José António), Jaime Pacheco, André, Sousa; Carlos Manuel e Gomes (aos 73': Futre).

: Shilton; Gary Stevens, Fenwick, Butcher, Sansom; Hoddle, Bryan Robson(aos 60': Hodge), Wilkins, Waddle (aos 80' Beardsley): Hateley, Lineker.

O jovem Paulo Futre esperava vir a ser a grande revelação do campeonato. Mas o treinador deixava bem claro que não o colocaria na equipa principal, embora o anunciasse como arma secreta. A dupla Futre-Gomes nunca era posta a jogar simultaneamente. Viria saber-se mais tarde que Futre não jogava para se obter um equilíbrio entre os jogadores das diferentes equipas portuguesas e evitar conflitos. Depois, o mítico guarda-redes Bento partiu uma perna durante um treino, possivelmente devido à má qualidade do relvado; Bento nunca mais viria a jogar nem na selecção nem no seu clube, o Benfica. O seu substituto, Damas, também era experiente, mas reagiu mal à responsabilidade e teve uma depressão.



Confronto com a Polónia


No segundo jogo, a 7 de Junho, também em Monterrey, Portugal perdeu com a Polónia, uma equipa teoricamente acessível, por 0-1, com golo de Smolarek.

: Damas; Álvaro, Frederico, Oliveira, Inácio; Diamantino, Jaime Pacheco, André (aos 73': Jaime Magalhães), Sousa; Carlos Manuel, Gomes (aos 46': Futre).

: Młynarczyk; Pawlak, Wójcicki, Majewski, Ostrowski; Matysik, Komornicki (aos 57' Karaś), Boniek; Smolarek (aos 75' Zgutczyński), Dziekanowski, Urban.



A eliminação para Marrocos

Tudo ficava assim guardado para o jogo final do grupo com Marrocos, a 11 de junho, em Guadalajara. Um empate seria suficiente para garantir a qualificação às duas equipas. Portugal perdeu humilhantemente por 3-1, com golos de Khairi (2) e Krimau. Diamantino marcou para os lusitanos.

: Damas; Álvaro (aos 55' Águas), Frederico, Oliveira, Inácio; Pacheco, Magalhães, Sousa (aos 69' Diamantino), Carlos Manuel; Gomes, Futre.

: Zaki; Khalifi, El Biaz, Bouyahyaoui, Lemriss (aos 69' Amanallah); Dolmy, El Haddaoui (aos 71' Souleymani), Timoumi, Khairi; Bouderbala, Krimau.

Portugal ficou em último no grupo e foi eliminado. O campeonato estava acabado para a equipa portuguesa.



As consequências

José Torres demitiu-se e foi substituído por Rui Seabra. A maior parte dos que fizeram greve no México foram excluídos dos próximos jogos da selecção, designadamente o apuramento para o Campeonato da Europa de 1988. Durante dois anos, Portugal foi obrigado a jogar com a sua segunda equipa. Os resultados foram péssimos, incluindo um dos piores resultados de sempre: um empate em casa contra Malta. Seabra viria a ser demitido também e substituído por Juca Pereira. A selecção foi progressivamente reconstruída, mas, durante dez anos, Portugal esteve ausente das principais competições internacionais.


                                                                                  

Repetiu-se a história?
Durante a preparação para o Campeonato do Mundo de 2002, na Coreia do Sul e no Japão, a selecção passou por algumas situações que fizeram lembrar Saltillo. Tal como antes do México, Portugal tivera uma boa prestação na Euro 2000, ficando em terceiro lugar.
Durante a preparação antes de partir para a Ásia, a equipa teve maus resultados, incluindo uma derrota em casa com a acessível equipa da Finlândia por 4 a 1. Kenedy foi suspenso por dopagem. Uma passagem por Macau, a caminho da Coreia, saldou-se por um êxito de compras e um fracasso de preparação física; o acordo sobre prémios de jogo chegou tarde. Como no México, Portugal viria a ser eliminado por equipas de menor valia na primeira fase do campeonato.

Fonte:
http://www.contra-ataque.com

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Doping no F.C.Porto

Moreira, jogador do FC Porto, lançado em conjunto com Hélder Postiga, acusou positivo num controlo, foi castigado e dispensado

O avançado Moreira, jogador dos juniores do FC Porto, foi suspenso de toda a actividade desportiva, na apesar de continuar a trabalhar com a equipa B dos «dragões». O atleta acusou a utilização de uma substância proibida, a Furosenida.

Moreira, atleta júnior do FC Porto, foi suspenso de toda a actividade desportiva, quando, a 19 de Junho de 2001, após a realização da partida Belenenses - FC Porto, relativa à fase final do Campeonato Nacional de Juniores, ter acusado positivo no controlo anti-doping.

O jovem avançado acusou a utilização de uma substância proibida, a Furosenida, que integra a lista de produtos que não podem ser ingeridos pelos atletas de alta competição.

Nélson Puga, médico do conjunto vice-campeão nacional, garantiu que Moreira foi sujeito a um inquérito do foro interno do clube.

No entanto, o clínico ressalvou que acredita «na inocência do jogador», e assegurou que «ninguém lhe ministrou esta substância, tratam-se apenas de vestígios», pelo que é possível que tenha havido uma contaminação.

Posteriormente, Nélson Puga, disse ainda que a Furosenida «é uma substância proibida, não uma substância dopante. A Furosenida é um diurético, que serve, apenas, para baixar a tensão arterial e, muito importante, baixa o rendimento de um profissional de futebol», esclareceu.

Nélson Puga lembrou ainda que a única vez que um jogador acusou esta substância em Portugal (na circunstância, o guarda-redes Quim, do Sporting de Braga), o atleta foi, nessa altura, despenalizado.

A concluir, o médico dos «dragões» frisou que «ele não está castigado. Encontra-se, somente, suspenso».

Recentemente Moreira deu uma entrevista a um jornal em que diz o seguinte...

De repente, um controlo anti-doping. Moreira acusa positivo. É suspenso por seis meses. Na altura, treinava com o plantel principal e tinha um futuro promissor à sua frente.

Seguiu-se o descalabro total na carreira.

«Olhando para o meu passado, claro que me entristece a situação. Na altura, marcou-me bastante. Ainda para mais, sabendo que sou inocente. Calhou ser sorteado para o controlo. Eu apanhei seis meses, enquanto ao colega que estava comigo não aconteceu nada. Enfim, é melhor nem falar muito sobre esse assunto. Talvez um dia fale», desabafa Moreira ao Maisfutebol, deixando suspeitas no ar.

A conclusão a que se chega e que é melhor nem falar muito sobre esse asssunto”?
Será que Moreira esta  com medo de levar um tiro nas rótulas? Ou não quer revelar os segredos das “amarelinhas” dietas do Fernando Póvoas?
Fica com uma dúvida: porque é que na URL do MaisFutebol surge o nome de Bruno Alves? Seria ele o “colega” a quem não aconteceu nada?
E porque passado algum tempo a noticia foi tirada do Site?

Porque todas as noticias relacionadas com Doping no F.C.Porto desaparecem da imprensa online?

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Feliz Natal

Em nome do "Avante P'lo Benfica" gostaria de desejar um Feliz Natal a todos os nossos amigos, a todos os anónimos que nos visitam e a todos aqueles que nos enviaram mensagens de Natal.
Desejamos a todos vós que sejam estes dias de reflexão, de carinho e generosidade e que as festas por estes dias sejam junto daqueles que mais Amam.
Um muito Obrigado a todos os que nos visitam e têm contribuido para que este blog continue a missão a que se propôs.

UM FELIZ NATAL A TODOS

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Falaste demais, a Mafia limpou-te o sebo...

Apito Dourado

PS de Gondomar estranhou a substituição de juíza. Socialistas disseram que "há claros indícios de que alguém quer matar o processo"O presidente do PS de Gondomar, Ricardo Bexiga, disse estranhar a substituição da juíza do caso "Apito Dourado", afirmando que Paulo Abreu Costa, o juiz que vai substituir Ana Cláudia Nogueira no processo, no âmbito do movimento anual dos juízes, é filho do assessor de Valentim Loureiro para a área jurídica na autarquia local e irmão do fiscal municipal de obras na mesma Câmara.Numa conferência de imprensa convocada para debater as incidências do processo na gestão autárquica de Gondomar, Ricardo Bexiga sublinhou que à transferência dos dois principais investigadores do caso para Cabo Verde e França se soma agora a substituição da juíza responsável pelo inquérito, Ana Cláudia Nogueira."O juiz que vai substituiu Ana Cláudia Nogueira [no âmbito do movimento anual dos juízes] é Paulo Abreu Costa, filho de João Araújo Costa, assessor para a área jurídica de Valentim Loureiro na Câmara de Gondomar, e irmão de Nélson Costa, fiscal municipal de obras na mesma autarquia", adiantou Ricardo Bexiga.

O líder do PS de Gondomar acrescentou que Paulo Abreu Costa é "um juiz muito jovem que estava colocado no Tribunal de Menores de Braga e que tinha indicado o Tribunal de Gondomar em 61º lugar na sua lista de preferências em caso de transferência"."Há claros indícios de que alguém quer matar o processo, com movimentações que põem em causa a independência da justiça", disse Ricardo Bexiga."Esta situação põe em causa a independência da magistratura", afirmou Ricardo Bexiga, acrescentando que compete agora ao Conselho Superior da Magistratura "explicar as razões deste movimento".Ricardo Bexiga considerou também "lamentável" que Valentim Loureiro insista em permanecer à frente da Câmara Municipal de Gondomar nas actuais condições.Valentim Loureiro é suspeito, no âmbito do processo "Apito Dourado", de 18 alegados crimes de corrupção activa, quatro de tráfico de influência e um crime de corrupção passiva.No âmbito do mesmo processo, que envolve um total de 16 pessoas em alegados crimes ao nível do futebol, encontra-se preso preventivamente, desde há dois meses, o vice-presidente da autarquia e presidente do Gondomar Sport Clube, José Luís Oliveira, enquanto um outro vereador se encontra sob medidas de coacção e impedido de contactar o presidente.O PS de Gondomar reiterou a sua posição de que Valentim Loureiro "deveria pôr os interesses dos gondomarenses à frente dos seus e suspender o seu mandato até ao cabal esclarecimento de toda a situação".Ricardo Bexiga considerou ainda que a autarquia se encontra paralisada na sequência do processo "Apito Dourado", com apenas três vereadores a gerir todos os pelouros da Câmara

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

SEF Ajudou o FCP a Corromper os Campeonatos

Funcionários do SEF estarão ligados à legalização irregular de vários jogadores do FC Porto, indica o «Jornal de Notícias». Segundo este jornal, o Ministério Público já estará a investigar diversas situações, uma delas envolvendo o ex-jogador portista Anderson.
O Ministério Público está a investigar suspeitas que envolvem a legalização irregular de jogadores estrangeiros do FC Porto por parte de elementos ligados ao SEF, noticia a edição desta segunda-feira do «Jornal de Notícias».
Segundo este diário, estes funcionários do SEF terão recebido bilhetes para jogos e camisolas do FC Porto em troca de facilidades para apressar e resolver problemas relacionados com processo de legalização destes jogadores e seus familiares.
Um dos casos que estará a ser investigado é o do brasileiro Anderson, ex-jogador do FC Porto, que terá entrado em Portugal através de um contrato de trabalho fictício apresentado pela mãe do jogador.
Na altura em que o actual jogador do Manchester United ingressou na equipa "azul-e-branca", Anderson era menor, o que levou a que a sua mãe fosse a sua representante legal.
Segundo o JN, a progenitora de Anderson terá apresentado um contrato de cozinheira num restaurante do Porto, restaurante em que nunca terá trabalhado.
Os casos dos argentinos Lisandro Lopez e Lucho Gonzalez e dos brasileiros Ibson e Bruno Moraes, Leandro do Bonfim e Cláudio Pitbull também estarão a ser investigados.
As suspeitas relativas a estes casos terão surgido após escutas telefónicas feitas a dois elementos do SEF que falavam e encontravam-se frequentemente com elementos ligados ao FC Porto.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Corrupção na Arbitragem...

Corrupção na Liga e na Arbitragem, Notas do árbitro Paulo Paraty foram falsificadas 

António Perdigão, ex-árbitro auxiliar com a categoria de internacional, disse ao Ministério Público que entregou a Valentim Loureiro, ex-presidente da Liga de Clubes, uma lista de observadores que deveriam ser escolhidos para assistirem aos jogos arbitrados por Paulo Paraty. O objectivo, assegurou, seria salvar Paraty da descida de categoria, já que na época 2002/2003 as notas tornavam a sua posição na tabela classificativa como bastante periclitante.

Ouvido pela equipa de Maria José Morgado, que em Julho de 2007 arquivou as suspeitas contra Paraty por o crime em que estava indiciado não prever a utilização de escutas telefónicas (abuso de poder), afirmou que desconhecia a intenção dos dirigentes em o manter na I categoria. Valentim também negou ter prestado tal ajuda, mas Mário Graça, o dirigente da Liga encarregado de nomear os observadores, escolheu sempre os árbitros indicados por António Perdigão.
Os autos revelam também que entre 8 de Fevereiro e 4 de Abril de 2003 as notas de Paraty subiram substancialmente. Até aí andavam à volta do 6,5, variando depois entre os 8,3 e os 8,4.
Ainda no mesmo período de tempo, as autoridades interceptaram uma escuta telefónica entre Pinto de Sousa e Valentim Loureiro, onde aqueles discutiam a situação do árbitro do Porto. O presidente da Arbitragem da Federação pediu ajuda ao presidente da Liga para evitar a descida de Paraty, já que naquele momento (Fevereiro de 2003) as notas do árbitro eram muito baixas.
Paraty voltou depois a aparecer no despacho referente à viciação das classificações em Novembro e Dezembro de 2003. Nessa altura foram interceptadas conversas que manteve com Pinto de Sousa, onde deu indicações sobre os observadores que pretendia que o acompanhassem nos jogos Benfica-Estrela da Amadora e Sporting-Setúbal.
O nome de Paulo Paraty voltou a aparecer no processo ‘Apito Dourado’ como sendo um dos árbitros que agradavam ao maior número de dirigentes. Pinto da Costa chegou a dizer que aceitava a sua nomeação para encontros envolvendo o FC Porto, mas também João Rodrigues, que funcionava como intermediário do Benfica, indicou o nome do árbitro como sendo uma ordem de Luís Filipe Vieira. A sua não nomeação para uma meia-final da Taça de Portugal chegou depois a criar um litígio entre Vieira e Pinto de Sousa, que obrigou Valentim Loureiro a intervir. Foi o presidente da Liga quem telefonou ao presidente do Benfica fornecendo nomes de outros árbitros e dando-lhe conta de que Paraty não poderia ser escolhido por já ter apitado um jogo do Benfica. Vieira escolheu depois João Ferreira.
Arquivados os processos-crime, Paraty terá agora de responder na justiça desportiva, para onde já seguiram todos estes factos.
OUTROS ÁRBITROS
COSME MACHADO
Escutas revelam que dirigentes tentaram que árbitro não subisse.
LUCÍLIO BAPTISTA
Pinto de Sousa disse a Lucílio que conseguiu subir nota.
CARLOS XISTRA
Carlos Xistra pediu observador para Alverca-Setúbal.
PEDRO HENRIQUES
Passou de 4.º para 3.º lugar para poder arbitrar a final da Taça.
ESCUTAS REVELADORAS
Paulo Baptista, árbitro da I categoria, chegou a ser acusado de corrupção passiva no processo referente ao jogo Naval-Chaves. O Tribunal da Figueira entendeu que a prova era insuficiente e Paulo Baptista voltou a ‘safar-se’ de uma acusação pública no processo da viciação das arbitragens. Nesse caso, o MP entendeu haver indícios de abuso de poder, mas o facto de a prova assentar unicamente em escutas telefónicas ditou o arquivamento.
Paulo Baptista foi ainda ‘apanhado’ numa escuta com Valentim, antes do jogo Penafiel-Chaves, onde o ex-presidente da Liga lhe disse para não se preocupar com o observador.
ÁRBITRO PREJUDICADO E BENEFICIADO
Carlos Xistra, árbitro da I Liga, foi apanhado nas escutas a pedir observador. Outras escutas revelam que Pinto de Sousa também o tentou prejudicar, fazendo-o descer na classificação.
OS ACERTOS FEITOS NA ARBITRAGEM
ESCUTAS TELEFÓNICAS
Azevedo Duarte fala com Pinto de Sousa sobre as alterações das classificações da arbitragem
A.D. – Estive aqui a estudar, vamos valorizar os que têm de subir e vamos tirar estes que estão para descer e não queremos que eles desçam [...] valorizamos também e os outros descem automaticamente, enquanto uns sobem na pontuação os outros descem e nós metemos [...] Cumprimos o que está no regulamento, porque quem sobe não reclama e quem desce pode reclamar mas está legal, está direitinho.
P.S. – Está perfeito
A.D. – O Paulo Torrão faz isso. Depois fazemos aquele show off de ir buscar ao cofre e não sei quê. Mas está tudo feito.
Pinto de Sousa diz a Pinto da Costa que é Pedro Henriques quem vai apitar a final da Taça. E dá-lhe conta de que vai trocar as notas daquele árbitro com as do setubalense JoãoFerreira, que deveria ter ficado em terceiro lugar.
P.S. – Estou interessado em que o Pedro Henriques fique em terceiro, não custa nada fazer a troca, até já mandei o gajo da Federação, um engenheiro, vem cá com o computador fazer isso.
P.C. – Tem de ser.
Pinto de Sousa e Valentim conversam ao telefone sobre a classificação de Paraty.
P.S. – Eu precisava de falar contigo, estou preocupadíssimo com o Paraty, a continuar assim ele desce de internacional [...].
V.L. – Não tem estado bem?
P.S. – Tenho as notas dele, dão para descer quanto mais para continuar como internacional.
NOTAS

JULGAMENTO EM LISBOA
O caso das classificações da arbitragem foi o único a ser julgado em Lisboa. Os restantes processos foram julgados no Norte ou na Madeira.

ATRASOS EM GONDOMAR
O caso referente ao Gondomar, cuja acusação foi deduzida em Janeiro de 2006.
O juiz pediu escusa por ser membro da Liga.

VALENTIM NO TIC DO PORTO
A instrução do caso de corrupção desportiva, no jogo Boavista-Estrela, foi aberta no TIC do Porto. A juíza é enteada de Pôncio Monteiro.

ACUSAÇÃO CONTESTADA
O único caso de corrupção envolvendo Valentim Loureiro que foi discutido em instrução foi arquivado. Dizia respeito ao jogo Naval-Chaves.

Fonte:
Jornal "Correio da Manhã"



Histórias da vida de um homem sem Escrúpulos - Pôncio Monteiro



"Nestas alturas, quando as equipas ganham, nunca faltam amigos, conselheiros, colaboradores, todos querem aparecer. Em tempo de borrasca, na tormenta, ninguém lhes punha os olhos em cima. Em tempo de bonança, era vê-los, pressurosos e diligentes, a dar ordens, esmerando-se por mostrar serviço. Casos do Wilson Brasil ou do Pôncio Monteiro, este último um eterno candidato à presidência do FC Porto, mas que foi sempre gozado pelo Pinto da Costa. Periodicamente, o Pinto da Costa diz que não se recandidata, o que faz com que os vice-presidentes, entre eles o Pôncio Monteiro, se vão digladiando para ver quem ganha posição. Depois de assistir, com visível gozo, a este espectáculo, o Pinto da Costa anuncia a recandidatura, obrigando assim os vice-presidentes a fazer marcha-atrás. O Pôncio Monteiro foi sempre uma pessoa incomodada, muito incomodada, em determinada altura até ciúmes dos vencimentos do Artur Jorge tinha, porque ele era o tesoureiro e sabia quanto é que o treinador ganhava. Noutra altura, ainda com Pedroto a treinador, teve a infeliz ideia de se incompatibilizar com um preparador físico do FC Porto, chamado João Mota: foi dizer ao Pinto da Costa que só continuaria como membro da direcção se o João Mota fosse embora. O Pinto da Costa foi ter com o Sr. Pedroto e disse-lhe o que se estava a passar. E Pedroto respondeu-lhe: "Já está tratado. Vai o Pôncio Monteiro embora." E o Pôncio Monteiro foi corrido das Antas. Nas entrevistas que dava, o Pôncio Monteiro referia-se ao presidente do FC Porto como o Sr. Costa. É óbvio que depois, com o passar do tempo, com o sucesso do FC Porto, o Pôncio foi alimentando, cada vez mais, a ambição de ser ele o próximo presidente do FC Porto.


(...) Num dos programas ('Os Donos da Bola', transmitido pela SIC), em que o Pôncio Monteiro era o convidado, aconteceu algo que me fez perder as estribeiras. Sempre que eu dizia alguma coisa e que comentava os casos que a SIC tinha em cima da mesa, os árbitros, as viagens, a corrupção, etc., o Pôncio Monteiro lançava suspeitas quanto à veracidade das minhas afirmações, criava sombras à volta do que eu dizia, por outras palavras, insinuava que eu estava a mentir. Ao Pôncio Monteiro eu não podia admitir aquilo. Como aliás não admito a ninguém. Porque eu estive por dentro, vivi muitas daquelas situações de que se estava a falar, eles não. Eu falava com conhecimento de causa e nenhum interesse me movia naquilo que dizia. Nenhum! Aguentei as colheradas depreciativas do Pôncio durante algum tempo, até que a mostarda me chegou ao nariz. Tinha de deitar cá para fora a revolta que me ia na alma. Num dos intervalos do programa, interpelei-o de forma muito dura. Lembrei-lhe um episódio da vida dele. O Pôncio Monteiro, muitos anos antes, depois de um acidente grave, esteve às portas da morte, para sobreviver tinham de fazer-lhe uma transfusão de sangue. O João Mota, do FC Porto, quando soube disso, prestou-se de imediato a ir dar sangue ao hospital. Mais tarde, o Pôncio perseguiu o João Mota dentro do FC Porto, exigiu a sua saída do clube, isto na altura em que o Pedroto era treinador. O Pôncio disse que ou saía o Mota ou saía ele. Foi aí, como contei antes, que Pedroto disse que, sendo assim, estava tudo resolvido, saía o Pôncio. Uma pessoa que faz isto, que depois de ter sido salva com o sangue do outro, o persegue, o quer despedir do trabalho, é alguém que perde toda a autoridade moral para dizer seja o que for. Uma pessoa que é capaz de comportamentos como aquele merece todas as reservas. Agarrei-o pelo braço e disse-lhe à queima-roupa: "Tu não prestas, tu foste capaz de perseguir uma pessoa que te ajudou da maneira que sabemos, portanto está calado, não digas nada. Olha para mim, olhos nos olhos. Tu nem profissão tens, a tua profissão é ser filho de quem és, o teu pai, sim, é um senhor, um gentleman." Atrapalhado, o Pôncio calou-se, ficou com falta de ar. O Schnitzer, ao assistir àquilo, disse-me: "Octávio, ainda matas o homem." "Mato o homem?!", perguntei eu, "mas qual homem?! Isto é um cobarde."


Fonte:

Livro " Vocês sabem do que estou a falar"
Autor: Octávio Machado

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

FCP, Paulinho Santos e o Ódio ao Benfica

João Manuel Pinto. "O Paulinho Santos ódiava o João Vieira Pinto, aliás odiava o Benfica"

Passou pelo FC Porto e pelo Benfica e viveu a rivalidade dos dois lados da barricada. Ou da trincheira. "Os clássicos são uma guerra"
Este é João Pinto. Não confundir com o outro, o João Pinto do FC Porto, com quem jogou, nem com João Vieira Pinto, com o qual não fala desde 2001, depois de lhe ter cuspido na cara. Este não foi um artista mas jogou no Belenenses, no FC Porto e no Benfica. E ganhou oito títulos, todos no Dragão. Quando se fala de túneis e agressões, este João Pinto, o João Manuel Pinto, tem um par de histórias para contar. Na primeira, na segunda e na terceira pessoas.

Que é feito do João Manuel Pinto?

O João Manuel Pinto abriu agora uma escola de futebol aqui, em Tarouca, ao pé de Lamego. E está a correr bem, é uma coisa que sempre quis. Os meus sonhos sempre foram muito pequeninos. E concretizei-os quase todos. Mas também gosto de sonhar pouco [risos].

E o futebol deu-lhe aquilo de que precisava?

Obviamente gostava de estar muito melhor posicionado, como outros grandes craques, como o Rui Costa, e ter ganhado grandes salários [risos]. Mas primeiro a saúde e depois que venha o resto.

Mas teve juízo a gerir o dinheiro?

Sim, sim... Quer dizer, há sempre aquelas coisas da juventude. Sabe como são os jogadores de futebol com os carros de grande cilindrada. E eu não fugi à regra, não é? Comprei o meu Porsche Turbo - lá está, outro sonho desde pequenino, mas este era um sonho grande - quando fui para o FC Porto, em 1995.

Tinha 22 anos e vinha do Belenenses nessa altura. Como foi chegar ao FC Porto?

Fui muito jovem para o FC Porto e chego lá e vejo grandes jogadores, símbolos, mitos do clube. Dias maravilhosos com títulos, festas. O Jorge Costa era o maior, impunha as regras, profissionalismo, sempre a querer levar o clube mais longe. Mas o Paulinho, o André, o João Pinto... enfim... Está a ver a gama, não está? Foi um prazer aprender lá.

Foi Bobby Robson quem mais o marcou?

Sempre com um sorriso. Não era só o trabalho, mas o prazer que nos proporcionava a trabalhar. Divertíamo-nos. Eu era uma espécie de arma secreta dele, entrava a ponta-de-lança para marcar golos por ser alto. E a coisa dava resultado! Ele tinha um feeling especial para as substituições. O Bobby tinha arte no que fazia. As expressões... [risos]. Não falava bem português e dava-nos para rir. Era um treinador engraçado.

E porque é que o Jorge Costa é o Bicho?

Eh pá, por ser forte fisicamente, um comboio. Naquela hora e meia jogava a vida.

O João ganhou oito títulos e foi parar à equipa B. Como é que isso aconteceu?

Políticas, empresários - e o jogador às vezes é apanhado no meio. Havia uma rivalidade forte entre o meu manager, que era o Veiga, e o presidente Pinto da Costa - e paguei eu. Confiava no Veiga e, quando chegavam propostas do estrangeiro ao FC Porto para me contratarem, ia sempre dizendo que não, a conselho dele. "Não faças isso porque tenho outros interessados."

Arrependeu-se?

Temos segundos para decidir a vida. Não sabia o que fazer. Se previsse, teria escolhido sempre a opção certa.

Está-me a dizer que escolheu a errada.

Obviamente que não foi uma opção muito boa para mim, mas acabei por ir para o Benfica.

E como é que isso se processou?

A seis meses de acabar o contrato, recebi uma proposta do Sporting, porque o Veiga dava-se bem tanto com o Sporting como o Benfica. Mas a escolha foi do meu empresário e eu acabei por concretizar um sonho (este dos grandes!) porque sempre fui benfiquista! Era uma coisa de criança, mas perdi dinheiro.

E o FC Porto pagou-lhe o que devia?

Sim, sim. Não cumpriram comigo durante três meses por causa das politiquices, mas ficou tudo resolvido.

Chega ao Benfica e a capitão de equipa.

E em apenas seis meses! Foi tudo tão rápido... O Meira, que era o capitão, tinha ido para a Alemanha e o Enke, o capitão seguinte, deixou de jogar pelo Benfica. Depois era o Drulovic e eu na hierarquia.

E caiu bem no balneário? Afinal de contas, eram dois ex-FCP com a braçadeira.

Havia três... Três, não! Quatro, eu, Argel, Zahovic e Drulovic. E viemos para um clube que estava em reconstrução. Tinha tido aquele presidente que fez o que fez [Vale e Azevedo]. Quando entrei no Benfica fiquei de boca aberta com as condições do clube. Estava em cacos!

Mas em pouco tempo passou de titular e capitão a suplente.

Quando saiu o Jesualdo... O Chalana, no jogo de transição, põe-me de fora e o Miguel, que na altura não era este Miguel, a lateral. E o Camacho a ver aquilo da bancada. Pronto, a equipa ficou praticamente feita [3-0 ao Braga]. O Camacho trouxe cheiro a balneário e respeito.

Não havia respeito por Jesualdo?

Houve momentos em que alguns jogadores faltaram ao respeito. Ele não estava bem apoiado, sozinho a levar um barco. Tinha meia dúzia de jogadores com ele e o resto estava contra. Eu era um dos que estavam com ele.

E quem é que não estava com ele?

Não posso dizer.

Nem um?

[silêncio] Conhecemos o temperamento do Argel nos treinos, nos jogos. Obviamente que era um dos que não estavam com o Jesualdo. A gente nunca pode dizer nomes, mas basta ver quem jogava e não jogava. Quer dizer, depende. Há futebolistas que não sabem ficar no banco, como suplentes. Quando cheguei ao Benfica havia jogadores com a meia em baixo, sem caneleiras. Eh pá, por amor de Deus! O treino tem de ser um reflexo dos jogos. E às vezes entrava com uma certa dureza, para eles perceberem que não era assim. "Eh pá, olha aí que isto é um treino", diziam-me. E eu respondia-lhes: "Vai pôr caneleiras."

Por falar em caneleiras... Agora, no futebol português fala-se mais de túneis e de agressões do que em tácticas. Lembra-se do caso Weah?

Havia sempre alguns empurrões aqui e ali. Mas só estive realmente envolvido numa rixa horrível no célebre FC Porto-Milan [20 de Novembro de 1996, 1-1] nas Antas. Foi violento. Aquilo vinha de trás. O Jorge tinha pisado o Weah lá em Milão [3-2, para o FC Porto]. Todos vieram dizer que o Jorge tinha chamado "preto" ao Weah, mas conhecendo o Bicho não acredito nisso. O que aconteceu lá em Milão foi que o Jorge lhe pisou o dedo. E isso toda a gente sabe que foi de propósito. O Jorge era muito frio e físico, e o Weah teve o azar de ter marcado o golo e ter ficado no chão. O Jorge saltou e pisou-lhe o dedo, e o dedo ficou muito feio [risos]. No túnel das Antas foi tudo muito rápido e planeado pelos italianos. O treinador deles [Oscar Tabarez, uruguaio] fez um sinal ao Rossi para ir rapidamente para o túnel - e ele era grande, pá, nunca vi um guarda-redes tão grande como aquele homem! - e o Weah logo a seguir. O Jorge, inocente, não reparou. E quando olha para trás, o Weah manda-lhe uma cabeçada. Só vi o Jorge voar dois metros no túnel. E depois foi o que foi. Andámos todos ali à porrada.

E quem é que deu mais?

Só tive pena do [Edgar] Davids, coitadinho. Estava ali a querer serenar as coisas e foi o que levou mais.

Mas o João Manuel também teve os seus momentos. Como aquele com o João Vieira Pinto, quando um estava no Benfica e outro no Sporting.

Assumi a culpa. São coisas que não se deve fazer. Cuspi-lhe na cara e não o devia ter feito. Mas acredite que fiquei muito chateado com o João no último dérbi em casa, no velho estádio da Luz (2-2, 15 de Dezembro de 2001), quando ele disse aos jornais que eu devia ter sido expulso por ter dado muita porrada. O que é mentira, é só ver o vídeo! E eu disse para mim: "Para a próxima, cá te espero!" No jogo de Alvalade [1-1, 7 de Maio de 2002] andei o tempo todo à procura dele e não consegui ter nenhum contacto físico com ele... O treinador [Bölöni] pô-lo nas linhas e eu nunca consegui apanhá-lo a jeito para lhe dar uma fruta e lhe dizer ao ouvido algumas que não ficaria bem dizer aqui. Depois cuspi-lhe na cara e não o devia ter feito. No final do jogo tentaram apanhar-me, mas nós ficámos a bater palmas ao público e tal. Nunca mais falei com o João, nem ele tem nada de que falar comigo.

Então e no FC Porto como era ver os jogos com o Benfica e assistir ao clássico Paulinho Santos-João Vieira Pinto?

Não era nada fácil. O Paulinho era um jogador muito violento, queria ganhar tudo. Eu ria-me com aquelas coisas. Não aceitava, mas pronto - os clássicos são uma guerra. O Paulinho ódiava o João. Perdão. O Paulinho odiava o Benfica e ódiava o João por este ser o melhor jogador do Benfica na altura. Ele ia para a guerra com o objectivo bem definido: dar no João Pinto. Transformava-se noutra pessoa. E ninguém lhe podia dizer nada para o tentar acalmar porque senão ele ainda ficava chateado connosco!
Fonte:
Pedro Candeias

Faleceu Aurélio Márcio

Este é um dos posts que mais me custa escrever, faleceu um dos últimos grandes jornalistas do nosso País,
a par de Alfredo Farinha, Carlos Pinhão, Rui Cartaxana entre outros...

O Avante P'lo Benfica envia à familia enlutada as suas condolências.

Fica assim mais pobre o nosso jornalismo que viu hoje partir um dos últimos grandes mestre do jornalismo desportivo em Portugal, com a sua partida fica o jornalizmo desportivo mais pobre e orfão de uma verdadeira referência de seres humanos integros e de coluna vertebral inquebravel, foi dos poucos que não se deixou corromper pelo sistema implementado de há uns anos para cá.

Resta-nos os jornalistas avensados aqueles que pregam loas à corrupção que prestam vassalagem a quem faz trafico de influências, drogas, agride pessoas e corrompe quem se atravesse à sua frente.

Aurélio Márcio, nome de referência do jornalismo em Portugal, morreu esta terça-feira, com 91 anos.

Figura de A BOLA, onde integrou a famosa redacção que contava ainda com jornalistas de renome como Vítor Santos, Carlos Pinhão, Homero Serpa, Silva Resende e Alfredo Farinha, entre outros, Aurélio Márcio deixa a memória de alguém que lutou até ao fim para continuar ligado às notícias.

Orgulhava-se de ter feito a cobertura de 10 campeonatos do Mundo de futebol desde 1966, sendo o jornalista com mais Mundiais no currículo.

Aurélio Márcio começou a carreira no Diário Popular, colaborou com o Século e, além dos anos passados n’A BOLA, escreveu ainda no Record. Na rádio, fez comentários na Emissora Nacional, Renascença e TSF.

O funeral de Aurélio Márcio realiza-se quarta-feira, no cemitério dos Olivais.

Corrupção na FPF

Corrupção na FPF, CJ ia absolver Pinto da Costa

O presidente do Conselho de Justiça (CJ) queria afastar o vogal João Carrajola Abreu das decisões dos recursos de Pinto da Costa e do Boavista. Sem o voto de Abreu, subsistiria um empate no sufrágio. Aí, com o seu voto de qualidade, Gonçalves Pereira decidiria a favor dos axadrezados e do presidente portista.
Os argumentos de Pinto da Costa e Boavista para o afastamento de João Abreu coincidiam num ponto:o conselheiro integra também a Federação como perito nas indemnizações por compensação da formação de jogadores.
Gonçalves Pereira recebeu por correio electrónico a justificação de João Abreu, mas pretendia dar provimento aos pedidos de inibição de Boavista e Pinto da Costa. Foi impedido pelo restante CJ, que com cinco conselheiros considerou reunir quórum e acabou por corroborar as decisões da Comissão Disciplinar da Liga no âmbito do ‘Apito Final’.
Os veredictos do CJ, que o próprio presidenteafirma seremilegais(ver caixa) voltam a colocar em risco a participação do FC Porto na Liga dos Campeões. O Comité de Apelo da UEFA tinha centrado a admissão dos azuis-e-brancos pelo facto de persistir a dúvida no trânsito em julgado da punição ao FC Porto.
Com a decisão da madrugada de ontem, o Benfica já prepara a resposta. E deverá na segunda-feira avançar com um pedido para que o FC Porto não dispute a Champions. "A decisão está transitada. Seja esta época, seja na próxima, o FC Porto terá de ser afastado", disse o advogado do Benfica, João Correia, ao Correio da Manhã.
Pinto da Costa não escondia a revolta pela confusão no seio do Conselho de Justiça. "Parece que ressuscitaramoPREC.Ficambem clarasasintenções porque se da parte do Boavista havia alguma urgência, da minha parte não havia nenhuma", disse ontem em Matosinhos, revelando ainda que a decisão era ilegal.
Pinto da Costa anunciou ainda que vai pedir ao tribunal administrativo a aclaração do veredicto. "Tenho de, pela primeira vez, concordar com o Benfica, que escreveu na exposição para a UEFA que o Conselho de Justiça não tinha credibilidade." 

PASSO A PASSO
Inibição
Na altura em que o CJ se preparava para decidir os recursos de Pinto da Costa e Boavista, Gonçalves Pereira ausenta-se. O vogal João Abreu é chamado a outra divisão do edifício da Federação, onde o líder do CJ lhe terá dito que estaria inibido de votar, por incompatibilidade de funções. 

Processo
De volta à reunião, um conselheiro pede a Gonçalves Pereira que recue na decisão ou então que ponha à discussão o recurso interposto por João Abreu da inibição de votar. O líder do CJ recusa. Outro conselheiro sugere então a abertura de um processo disciplinar a Gonçalves Pereira, com efeitos suspensivos imediatos. 

Volte-face
Perante a proposta, Gonçalves Pereira dá por encerrada a reunião, às 17h55, e abandona a sala, sendo mais tarde seguido pelo vice ElísioAmorim. Os outros conselheiros consideram nulo o fecho da reunião, decidem a favor do recurso deAbreu e instauram um processo a Gonçalves Pereira. Começam a decidir.

"TINHA DE SAIR O MAU CHEIRO"
É com ironia que João Abreu fala da decisão de ontem. O vogal que Gonçalves Pereira queria afastar e que mais tarde votou a sua suspensão diz só ter tido um pensamento quando o presidente deu por encerrada a reunião. "Pensei: temos de fechar a porta do passado, abrir a janela para sair o mau cheiro e seguir em frente", disse ao CM. 

GONÇALVES PEREIRA: "DECISÃO É ILEGAL"
Para Gonçalves Pereira, a decisão da madrugada de ontem, levada a cabo pelos cinco conselheiro do Conselho de Justiça, carece de legalidade. "Não existe uma decisão com cunho jurídico. A lei é clara ao dizer que só o presidente do CJ tem o poder de convocar, dirigir e encerrar as reuniões. Esta acabou às 17h55. O que se passou depois foi um mero encontro de pessoas livres", referiu à RTP o presidente do CJ.
Sobre o pretendido afastamento de um vogal, Gonçalves Pereira afirma não haver polémica:"Apenas me limitei aos fundamentos invocados. Depois de interpelar João Abreu, que me respondeu em dois e-mails, não tive dúvidas em considerá-lo impedido."

BOAVISTA QUER OPINIÃO DE MADAÍL
O Boavista escuda-se na decisão do Conselho de Justiça com as palavras do próprio presidente do CJ. Para os axadrezados, o veredicto é ilegal, mas querem ouvir a opinião dos presidentes da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga de Clubes.
"Gilberto Madaíl e Hermínio Loureiro é que têm capacidade para colocar as decisões em prática. Há que saber o que pensam, sob o risco de se tornarem cúmplices desta ilegalidade, afirmou à Lusa o presidente do Boavista, Álvaro Braga Júnior, que ameaça com um pedido de indemnização aos órgãos reguladores do futebol nacional.
"O presidente do CJ deu a cara e espero que os conselheiros não se escondam em dúbios comunicados e mostrem também a cara para explicar a decisão", completou o responsável do clube axadrezado, que não viu analisado um dos seus recursos, já que o relator de um dos jogos – Elísio Amorim, vice do CJ – abandonou também a reunião.
Com a despromoção do Boavista, o cenário de crise agrava-se no Bessa e, em sentido contrário, emPaços de Ferreira respira-se de alívio, com a permanência no escalão maior: "Foi feita justiça", disse ontem o presidente pacense, Fernando Sequeira. 

Fontes:
Octávio Lopes/Tânia Laranjo/Sérgio Pereira Cardoso

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Corrupção na UEFA

Juiz amigo na UEFA

 Decorria o verão de 2008, o FC Porto a poucas horas de entregar na UEFA a contestação à nota de culpa, que pretende o afastamento dos azuis-e-brancos das competições europeias, o clube já prepara a defesa para a instância de recurso. É aí que o FC Porto acredita poder vencer, num momento em que muitos dirigentes dão como certa a determinação por parte da UEFA do afastamento daqueles que, na época em que são acusados de tentativa de corrupção, se sagraram campeões europeus. A Defesa estará a cargo do escritório de Adelino Caldeira e Gil Moreira dos Santos.


A tensão no Dragão é grande e a esperança reside agora no Comité de Apelo da UEFA.Onde o FC Porto encontrará o juiz AntónioMortágua, ex-presidente do Conselho de Disciplina da FPF e tido como próximo de Pinto da Costa e de outros arguidos envolvidos no ‘Apito Dourado’.
Recorde-se, aliás, que António Mortágua foi uma das testemunhas arroladas por Valentim Loureiro aquando da instrução do processo em julgamento em Gondomar, tendo também o juiz sido suspeito de ter contactado Pinto da Costa nos dias em que aquele se manteve foragido à Justiça.

O mesmo magistrado foi também alvo de escutas no mesmo processo e há conversas transcritas do juiz a Pinto de Sousa, Pinto da Costa e Valentim Loureiro. Há ainda uma mensagem enviada para o telemóvel do então presidente do Boavista, na qual o juiz conselheiro se manifestava solidário com o major, depois da sua prisão. 'A amiza- de supera isso tudo', disse então o magistrado ao Loureiro filho.
A possibilidade de afastamento das competições europeias tratará também importantes custos financeiros aos azuis-e-brancos. Não só na perda de receitas imediatas da participação na Liga dos Campeões, como até em receitas com a venda de lugares anuais.
OFCPorto deverá adiar a renovação das cadeiras, já que no pacote vendido aos associados o clube inclui os jogos da Champions.Nestemomento, a certeza da participação na prova é nula. 

FEDERAÇÃO ENTREGOU LISTAGEM
A Federação Portuguesa de Futebol entregou ontem na UEFA as licenças para que os clubes portugueses possam disputar as competições europeias. O FC Porto foi um dos sete clubes licenciados pela FPF. Os portistas têm licença do organismo português, mas ainda aguardam uma posição da UEFA em relação à participação na Liga dos Campeões – a decisão está marcada para amanhã.
Os outros clubes licenciados foram o Sporting, o Vitória de Guimarães, o Benfica, o Marítimo, o Vitória de Setúbal e Sporting de Braga.
Caso se confirme o afastamento do FC Porto, a vaga na fase de grupos sobra para o V. Guimarães, que teria entrada directa na Champions. OBenfica também sairá beneficiando, apurando-se para a 3ª pré-eliminatória da Liga milionária.  

PRÉMIOS DE PARTICIPAÇÃO
A época 2003/04 foi a que rendeu ao FC Porto a maior receita nas provas da UEFA dos últimos cinco anos. Os números não contemplam outros tipos de ganhos, como bilheteiras ou direitos televisivos.
2003/04 25,1 milhões de euros
2004/05 8,2 milhões de euros
2005/06 6,4 milhões de euros
2006/07 12,6 milhões de euros
2007/08 cerca de 13 milhões de euros

PRÉMIOS (VALORES TEMPORADA 2007/2008)
Fase de grupos: 3 milhões de euros
Prémio por jogo: 400 mil euros
Prémio por vitória: 600 mil euros
Por empate: 300 mil euros
Apuramento para 1/8: 2,2 milhões de euros
Apuramento para 1/4: 2,5 milhões de euros
Apuramento para 1/2: 3 milhões de euros
Segundo lugar: 4 milhões de euros
Primeiro lugar: 7 milhões de euros 

SAÍDA DE CRAQUES PARA SALVAR CONTAS
A venda de activos valiosos do plantel pode ser a solução para a SAD do FC Porto cobrir o buraco financeiro resultante de uma exclusão das competições europeias.
No orçamento os portistas têm por hábito perspectivar uma campanha na Liga dos Campeões em que são atingidos os oitavos-de--final da prova. Tal aconteceu nas últimas duas épocas, sendo que os prémios de participação rondaram os 13 milhões de euros.
Contudo, a perda assume montantes bem mais elevados se lhe juntarmos receitas publicitárias, de bilheteira, de venda de lugares anuais, entre outras, que sem a presença na Champions descem de forma drástica.
A salvação das contas poderá passar pela venda de jogadores internacionais e com mercado, como Quaresma, Lucho González, Bruno Alves ou Lisandro Lopez.
Aliás, mesmo a vontade dos jogadores em alinhar na principal prova europeia jogará a favor da saída. Lucho, por exemplo, já afirmou o desejo de actuar numa liga mais visível e Quaresma anunciou no sábado a vontade de abandonar o FC Porto. Quem já saiu, de forma unilateral, foi Paulo Assunção e, caso se concretize a ausência dos portistas da Champions, poderá não ser o único a deixar o Dragão.  

SAIBA MAIS
JUVENTUS NA DEFESA
Para o FC Porto, uma exclusão da Champions teria de ser estendida à Juventus, envolvida no Calciocaos e este ano apurada para a Liga dos Campeões.
25 milhões
O FC Porto arrecadou 25,1 milhões de euros de prémios de participação nas provas europeias, em 2003/04, curiosamente na época dos jogos que levaram ao ‘Apito Dourado’.

NOTAS
CAROLINA - VAI FALTAR AO TIC
 Carolina Salgado vai faltar hoje a uma inquirição noTICdo Porto, onde seria ouvida no processo de furto interposto por Pinto da Costa. A ex-companheira vai justificar a falta com uma consulta

TRIBUNAL - ADEPTO OUVIDO
Um adepto doFCPorto foi ontem ouvido noTribunal de Gondomar, após ter sido detido pela GNR na sequência de desacatos no FCPorto - Benfica (6-0), no sábado, em hóquei em patins

MAREK CHEC - SEMANA DECISIVIA
O empresário do lateral-esquerdo Marek Cech, Juraj Venglos, garante que esta semana o futuro do eslovaco será decidido, descartanto a possibilidade de uma transferência para o Nápoles
Fontes:
Sérgio Pereira Cardoso/ Tânia Laranjo

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

A guerra Norte contra o Sul de Pinto da Costa

Norte contra Sul: O longo combate de Pinto da Costa com a bandeira do FC Porto

30 anos em guerra


Apavorada pela reacção do FC Porto à luta contra a corrupção no futebol português, a Federação Portuguesa de Futebol montou o ambiente propício à batalha final da longa guerra que opõe o Norte futebolístico ao Sul hegemónico deste país. O próximo campeonato está ameaçado por um clima de agressividade, incompreensão e falta de escrúpulos desportivos que pode alastrar para a sociedade, agora que terminou o torpor agridoce oferecido pela selecção no Europeu, enquanto os beligerantes iam carregando as armas.

Será o corolário para 30 anos de escaramuças e conflitualidade provinciana, entre um clube com dificuldade para assumir a grandeza conquistada e outro cada vez mais confundido pela grandeza genética. Um quer parecer maior do que é e denota dificuldades em dominar o monstro em que se transformou. O outro tem sofrido tantos desvios ideológicos que já só raramente consegue estar à altura do passado.
A guerra FC Porto-Benfica que está a ser preparada nos bastidores e que vai ter campo a partir de Agosto próximo pode, em todo o caso, servir para acabar, de uma vez, com a podridão moral em que o jogo tem vivido ao longo destas últimas décadas. O processo ‘Apito Dourado’ e a divulgação das escutas telefónicas tiveram o mérito de confirmar a prática de uma sociedade sórdida e fundada em ‘princípios’ de corrupção moral e tráfico de influências. Está à vista de todos e de tal forma enraizada nos procedimentos, que de facto não pode ser traduzida neste ou naquele jogo, neste ou naquele penálti, neste ou naquele fora-de-jogo.
Os que defendem que o FC Porto não precisa, hoje, dos favores explícitos dos árbitros para vencer pontualmente adversários de fraco gabarito, como o E. Amadora, têm razão. Ao fim de tantos anos, a família futebolística – incluindo adversários, dirigentes federativos e, muito particularmente, toda a estrutura arbitral e disciplinar – interiorizou a dependência moral do poder que emana da Torre das Antas. Tempo houve em que era aceite como algo inevitável, uma espécie de custos do sistema, o pagamento de viagens ao Brasil ou de 500 contos por ‘pequenos’ favores, que denunciaram a incompetência de árbitros como Carlos Calheiros ou José Guímaro.
E os erros imprudentes dos árbitros e dirigentes denunciados agora pelas investigações do ‘Apito’ resultam de muitas épocas de absoluta impunidade e ausência de oposição crítica – que resultou no castigo absurdo de perda de seis pontos para um crime de corrupção.
O que parece ter mudado foi a combatividade do opositor de ocasião, Luís Filipe Vieira, o mais voluntarioso ‘inimigo’ de sempre de Pinto da Costa, beneficiando de uma época em que o velho líder portista se apresenta já muito desgastado pela idade e pelas traições da vida passional. Vieira tem dado força e inspiração a um Ministério Público finalmente digno do seu dever e a instâncias jurídico-desportivas com mais competências e menos compadrio.
Quando apelou à "justiça divina", Pinto da Costa deu os primeiros sinais de dificuldade em enfrentar este adversário desconhecido, a Justiça, num teatro de guerra aberta, nada propício a um guerrilheiro perante adversários que ameaçam utilizar a bomba atómica da descredibilização pública. Pinto da Costa está debilitado: já só pode ser ilusoriamente salvo por um Conselho de Justiça ainda menos credível. 
O SUL CONTA AS SUAS BAIXAS
A falta de hábito de arruaça apanhou Benfica (e Sporting) desprevenidos no final dos anos 70 e não pára de fazer vítimas.
A BOMBA DO ROUBO DE IGREJAS
Quando Pedroto lançou o grito dos "roubos de Igreja", Romão Martins só conseguiu responder com a revelação do compadrio entre o treinador e o árbitro Manuel Vicente, um dos pioneiros do ‘sistema’, mas não tinha estofo para uma guerra tão imoral e acabou na presidência da FPF.
GOLO DE MANACA E OS MAFIOSOS
Pinto da Costa insinuou que o Sporting tinha sido campeão com um autogolo ‘comprado’ de Manaca e no Porto lançaram panfletos sugerindo a prisão dele e do presidente João Rocha. Este respondeu que era preciso "acabar com os mafiosos do futebol". Não foi ouvido.
O ‘APITO DOURADO’ 20 ANOS ANTES
Gaspar Ramos travou resistência longa e corajosa, mas com uma retaguarda mal organizada e desgastada pelos resultados desportivos. Não conseguiu passar as denúncias ao ‘bàs fond’ dos anos 80, quando os serviços de António Garrido ao FC Porto perturbavam os benfiquistas.

REINANDO EM MEIO DIVIDIDO
A luta errática com ar de desculpas de mau perdedor repete-se com Filipe Vieira, com uma agravante relativamente a Gaspar Ramos. Tem dificuldade em convencer os próprios benfiquistas, facilitando o princípio da arte da guerra nortenha, concebida por Pedroto: dividir para reinar.
A RIVALIDADE MAIS VIOLENTA
José Maria Pedroto e Mário Wilson protagonizaram, no final dos anos 70, a mais violenta das rivalidades, com o portista a vilipendiar o benfiquista com ofensas de natureza racista. Wilson reagiu com alusões ao alinhamento político do adversário e acabou alvo de uma ‘fatwa’ que o proibiu de entrar nas Antas, decidida em assembleia geral do FC Porto.

O EIXO DO MAL
Inocêncio Calabote, 1959, irradiado
Foi irradiado porque prolongou um jogo do Benfica quatro minutos, mas nunca ninguém o acusou de qualquer conduta ilícita ou prática de corrupção. Ao contrário do que Pinto da Costa fez acreditar quando desenterrou o nome de Calabote para dar cobertura à teoria da conspiração, naquele ano o FC Porto é que foi campeão com um golo marcado depois da hora.
Francisco Silva, 1990, irradiado
Com o advogado portista Lourenço Pinto no papel de justiceiro, o ‘Penafielgate’ acabou com a carreira do árbitro que deu fama ao Canal Caveira e foi condenado por corrupção, sem que se tivesse descoberto o corruptor. Se fosse hoje, as denúncias de que Pinto da Costa lhe disse que ele lhe devia a promoção internacional constituiriam um bom tema para as investigações do ‘Apito’.
Augusto Duarte, 2008, suspenso 6 anos
Filho de árbitro e bom conhecedor do ‘milieu’, foi apanhado por causa de um cafezinho bem intencionado. Há quem não consiga perceber a necessidade de ‘comprar’ um árbitro quando se tem a superioridade desportiva do FC Porto. Mas a conduta revelada pelas escutas é típica dos casos de abuso de confiança e promiscuidade de muitos antecessores ao longo dos últimos 20 anos.
NOTAS
COMBATE REGIONAL
Concentração obsessiva de poder, incluindo ‘caças às bruxas’ internas, com depurações frequentes, ironicamente baseada na ideia de combate ao centralismo administrativo e político.
SISTEMA DE PODER
Durante décadas, a Associação de Futebol do Porto trocou a presidência da FPF pela do Conselho de Arbitragem. O amigo de infância Pinto de Sousa não passou de peão ao serviço da causa.
GRANDE CARISMA
Domínio instintivo das técnicas mais agressivas de comunicação, para lá de um grande carisma, sobre uma comunicação social preguiçosa e reverente que tem ajudado a criar o mito.

Fonte:
João Querido Manha